11 de jan. de 2018

208. O MUNDO DA CRIANÇA AUTISTA E COMO AJUDÁ-LA.


Fotos cedidas pelo prof Casio Lucena
Todo ser possui potenciais a desenvolver e merece desenvolver-se integralmente. Já escrevi muito sobre isso nos posts anteriores. Mas como contribuir com as crianças com transtornos de neurodesenvolvimento cujo funcionamento mental tem características tão peculiares? Melhor caminho: conhecendo-as. Comecemos pelas crianças portadoras do TEA, Transtorno do Espectro Autista.
Há vários níveis deste transtorno, do leve ao severo, mas em geral, o portador do TEA tem o cérebro hiperexcitado. Ou seja, diferente da maioria, que a cada nova atividade desliga a anterior, o autista liga uma nova atividade sem desligar a outra. Assim, ao longo do dia ele vai fazendo centenas de atividades ao mesmo tempo. Para dar conta de tantos estímulos, ele se organiza com padrões restritos e repetitivos não só comportamentais, mas também de interesses e/ou atitudes marcados por acentuadas rotinas e rituais. Fácil entender o porquê possuem grande dificuldade em lidar com as mudanças ou excesso de estímulos, pois se desorganizam e entram em crise. Além disso, seu diferente desenvolvimento neurológico gera-lhe prejuízos na comunicação social, na interação social e reciprocidade sócio-emocional, o que é fácil supor que acarreta a ele grandes dificuldades para se adaptar a este mundo, que é pensado para outro tipo de funcionamento cerebral. Como podemos então favorecer-lhe desenvolvimentos sem que ele se desorganize?
Há várias atividades para ajudar a criança a aprender, a desenvolver suas tantas possibilidades na escola e na vida. Cito uma, a prática da capoeira, que favorece o desenvolvimento integral do portador de TEA. Esta prática traz movimentos corporais ritmados, acompanhados de uma música com repetições bem marcadas e tendo como principal instrumento, o berimbau, instrumento de uma corda só, que proporciona uma música interessante, rústica e sem grandes estímulos musicais. A prática ainda segue ritual e rotina bem definidos, com integração social leve e em roda, tendo no centro apenas dois integrantes, cujos movimentos não são tão desestruturantes, como pode ser em um jogo de equipes, como o futebol, com mais imprevistos que podem desorganizar a criança. Como vemos, a capoeira vai muito ao encontro das características das crianças com TEA e ao seu funcionamento e por isso, pode ser uma boa opção ao seu desenvolvimento integral.
Fotos cedidas pelo prof Casio Lucena
Conheci o professor Cássio Lucena, que trabalha, a prática da capoeira com crianças com o TEA e outros transtornos em Recife/PE há alguns anos, e que juntamente com o professor Daniel Pina, estão começando um projeto na academia Santè em Boa Viagem para a inclusão destas crianças no universo da atividade física. Vi um pouco mais de perto o seu trabalho e marcamos um bate-papo. A fala emocionada e emocionante do professor, ilustrada por vídeos das atividades e dos progressos dos alunos, deixava claro os seus benefícios, que logo o professor elencou. 
1. A cadência rítmica e a expressão corporal da capoeira permite o envolvimento do corpo do aluno como um todo, além de favorecer a integração com outros indivíduos, uma de suas grandes dificuldades. 2. Trabalha a autonomia da criança, a sua psicomotricidade não só pela coordenação dos movimentos corporais, como também ao tocarem os instrumentos como o berimbau, atabaque e o pandeiro, desenvolvendo ainda a musicalidade. 3. Também favorece a comunicação e a linguagem, outra grande dificuldade apresentada pelo transtorno, ao cantarem as músicas e  falarem sobre elas. 4. E conhecem uma nova prática cultural enquanto se desenvolvem e se integram.
Ou seja, o transtorno traz sim prejuízos, mas toda criança pode e tem o direito a desenvolver-se. E toda criança, independente de sua constituição, é um ser de possibilidades. Façamos o nosso melhor por elas.
Bravo, professores Cassio e Daniel e tantos outros que colaboram! Muito lindo, útil e iluminado este trabalho. Unamos forças por mais conhecimentos destes mundos tão únicos para agirmos a favor de suas tantas possibilidades.

No próximo post falaremos do TDAH: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Inscreva-se para receber por email. Acompanhe.


Qualquer dúvida, email me

prof.ligiapacheco@gmail.com

5 comentários:

  1. Adorei conhecer um pouco de como funciona o cérebro das crianças com TEA!
    Vou acompanhar todas as postagens!
    Beijos!

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  2. Muito boa essa matéria, com uma esplanacão simples sobre TEA, vou procurar saber aqui na minha cidade e tentar colocar minha família.

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  3. Digo, minha filha que tem autismo e retardo mental moderado.

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  4. Excelente matéria! Quanto mais pesquisamos e tentamos entender, mais fascinados ficamos para melhor compreender como funciona e como podemos melhorar a vida das nossas crianças com TEA.

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  5. Olá Lígia
    Ótima postagem, bjs e um belo dia.

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