8 de fev de 2018

210. TDAH: PREJUÍZOS E POSSIBILIDADES.

No post anterior, tratamos do que é o TDAH, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o porque ele ocorre  e os cuidados com a hiperdiagnosticação. Neste, falarei de suas principais dificuldades e como podemos ajudar as crianças com tal transtorno, que as deixam lentas para amadurecerem e rápidas para se distraírem. Vamos a algumas dicas:
1. O portador de TDAH tem muita dificuldade com a organização e planejamento de sua ação. Perde materiais, sempre está em bagunça e as atividades com longas etapas são bem árduas a ele. COMO AUDAR? Deixe claro a ele as etapas de uma organização e a necessidade de planejamento. Faça junto, passo a passo e o incentive a ir ganhando autonomia. Por exemplo: Arrume a mochila da escola com ele, pontuando uma sequencia de ações. Olhar a agenda para ver o que é preciso, pegar o que é preciso, lembrar se a profa pediu algo, fazer o check list e organizar tudo dentro da bolsa. Todos os dias siga a mesma sequencia criando uma rotina. Rotina organizada é muito importante a ele. Quando já estiver melhorado nesta atividade, vá saindo de cena, mas o desafie. Ex: “Vou olhar a agenda com você, e vamos ver o que precisa. Vou sair e contar até cem. Quando eu voltar quero ver tudo em cima da mesa para fazermos o check list. Topa?” A criança se motiva e vai topar. Quando você voltar, elogie o seu esforço independente do resultado e na próxima faça os ajustes necessários. A cada conquista e reforço desta conquista, você faz o mesmo com outra etapa até que ele consiga fazer sozinho. Lembre-se: Rotina para organizar e desafios e feedbacks positivos os ajudam muito.
2. Por conta de disfunção neuroquímica e tardio amadurecimento cerebral, o portador de TDAH tem dificuldade em adiar recompensas, controlar suas ações, emoções e pensamentos tornando-se impulsivo. Atravessa a rua sem olhar o movimento, responde às perguntas sem refletir, não aguenta ficar em filas, esperar a vez ou ficar muito tempo em mesma atividade ou sentado. São craques em “meter os pés pelas mãos” e explodem facilmente. COMO AUDAR? Valorize cada ação assertiva da criança. E quando ela errar, parabenize-a pelo seu esforço e a apoie a seguir adiante, a recomeçar. Ensine-a a pensar antes de agir, buscando estratégias para dar tempo de refletir antes de agir. Por exemplo, a cada pergunta feita ela precisa respirar profundamente antes de responder ou fazer algum movimento físico do tipo um estalo de dedos. E quando tiver que esperar a vez, terá o desafio de prestar atenção ao que cada um faz até chegar a sua vez. Ou inventar uma história em que vai colocando cada um da fila nela. Importante é ajudá-lo a criar estratégias para administrar sua inquietude. Em relação as emoções, é preciso ir educando-a. E o melhor jeito de começar é ajudá-la a identificar a emoção sentida, a nomeá-la e a falar sobre ela buscando meios para gerí-las. É muito importante que a criança participe destas conversas e encontre apoio em suas soluções.
3. O portador de TDAH tem ainda muita dificuldade com a flexibilidade mental, isto é, com a capacidade de mudar o seu plano de ação. Quando comete um erro em um problema matemático, por exemplo, possui muita dificuldade em buscar caminhos alternativos, tendendo a repetir o erro. COMO AUDAR? Mostre a ele outras formas de ver e fazer o problema. Sempre com objetividade, de modo concreto e de modo desafiador para que ele mantenha a atenção e a motivação. Por exemplo: Ele não consegue compreender que 1-1=0 e sempre comete o mesmo erro. Pegue uma fruta, uma bolacha, o que quiser. Dê a ele e pergunte quantas “bolachas” ele tem nas mãos. Ele dirá uma. Peça para ele comer e pergunte, quantas bolachas há em sua mão agora. Além disso, peça também para outras crianças ou pessoas explicarem para ele como entendem esta expressão matemática. Perceber que há outras formas de pensar e perceber é muito importante para qualquer um, mas em especial à criança com o TDAH.
4. O sistema atencional do cérebro é muito complexo e importantíssimo à nossa vida. Sem ele, as informações não chegam ao cérebro. E o do portador de TDAH é disfuncional, dificultando-o a manter o tônus atencional, a selecionar e manter os estímulos relevantes e a resistir estímulos distratores. COMO AUDAR? Na escola, ele deve sentar bem próximo da professora. Em seu ambiente não deve haver muitos estímulos para o destrair. Na hora de fazer a tarefa escolar ou estudar, organize um espaço com poucas distrações. E o ajude a colocar na mesa apenas a tarefa que irá fazer naquele momento. Deve aprender a fazer uma coisa por vez, do começo ao fim antes de prosseguir. A cada término de uma etapa, deixe-o caminhar um pouco, brincar, mas procure deixar um tempo marcado e que deve ser cumprido para que ele possa ir desenvolvendo a atenção e o controle inibitório. Ajude-o ainda com regras claras, anote em um quadro junto com ele os horários, as tarefas a fazer e vá o ensinando a ganhar esta autonomia. Tarefas longas devem ser divididas em partes menores e valorizadas a cada conclusão de uma etapa. E ajude-o a manter a organização, fazendo-o participar da mesma e transformando-a numa atividade lúdica para que ele consiga manter a motivação e o esforço tão difíceis a ele.
5. Outra dificuldade que ele encontra se relaciona à memória operacional, que é aquela que nos permite manter temporariamente as informações na mente, manipulá-las, pensá-las. COMO AUDAR? Não dê atividades longas e que exijam complexas reflexões. Toda e qualquer atividade ou mesmo reflexão deve ser trabalhada passo a passo, etapa por etapa como estes jogos eletrônicos que tanto atraem as crianças. A cada etapa vencida, conversem sobre a síntese feita daquela etapa para reforçar os seus conhecimentos, estiquem os corpos e sigam para a próxima. Faça brincadeiras com ele do tipo que vai acrescentando coisas para ir guardando na memória. Por ex: “Fui a feira e comprei laranja.” Ele deve repetir o que comprou e acrescentar a sua compra, como por exemplo: “Fui a feira e comprei laranja e limão.” E você diz: Fui a feira e comprei laranja, limão e morango.” E assim consecutivamente. Ótima atividade para melhorar a memória operacional.
E por fim, alguns jogos infantis que ajudam muito as crianças com TDAH.
Vivo e morto; Jogos de trilha; Forca; Jogos de baralho que sejam rápidos; Bingos com cartelas menores; Jogos de estafeta; Cantigas de roda; Jogo de memória, aumentando o grau de dificuldade conforme ele vai progredindo; Jogos que envolvam a atividade física e de preferência ao ar livre; E muitos tantos outros. 

Meu apelo: Cuidar com as reclamações pois, por ser o portador de TDAH muito intenso e de grande inquietude, ele cansa qualquer um e costuma receber muitas críticas, enquanto o seu desenvolvimento do sistema nervoso pede bem o contrário: elogio. Mas não o elogio a qualquer preço que isso não ajuda.  Mas o elogio do esforço e que o ajude a manter a sua empreitada. E o mais importante: creia no potencial da criança, pois seja qual for a sua dificuldade, todo ser humano pode, pede e tem o direito de desenvolver-se e alegrar-se com isso.
Boa volta às aulas, capriche.

Qualquer dúvida, email me
prof.ligiapacheco@gmail.com

25 de jan de 2018

209. TDAH: ENTENDER PARA MELHOR AGIR.

“Compreender a mente humana e o comportamento produzido, inclui considerar seu contexto social e cultural.” (Antonio Damásio) Ou seja, qualquer que seja o transtorno, não se pode analisá-lo de modo isolado, mas por uma multidimensionalidade que inclui a biologia e o meio. O TDAH, Transtorno de Déficit de Atenção e Hipertividade, é um transtorno de neurodesenvolvimento, essencialmente comportamental. Há três fatores neurobiológicos, especialmente ligados ao (1) processo de mielinização tardio e amadurecimento cerebral mais lento, (2) disfunção neuroquímica e (3) ineficiente integração entre os sistemas de antenção, que comprometem o bom funcionamento cerebral, deixando o portador de TDAH lento para amadurecer e rápido para se distrair.
Isto irá comprometer e muito o desenvolvimento do Pré-frontal, área de grande importância para as nossas funções executivas, como a organização e planejamento da ação; motivação; memória; controle emocional; controle de movimentos, resolução de problemas entre outras. Ou seja é uma área extremamente importante para o dia a dia, seja na escola, no trabalho, na vida. Também o portador, acaba tendo problemas com o sistema de recompensa cerebral e por isso mais do que ninguém precisa de feedbacks positivos para se motivar a seguir adiante. Todavia, por ser “excessivo” no que faz, acaba levando muita bronca, é taxado de preguiçoso, desleixado, o que pode agravar ainda mais o quadro. Tais disfunções acarretam três sintomas cardinais ao portador: (1) Desatenção (divagação em tarefas; falta de persistência; dificuldade de manter o foco; desorganização), (2) Hiperatividade (atividade motora excessiva, inquietude extrema) e (3) Impulsividade (ações precipitadas, desejo de recompensas imediatas, incapacidade de postergar gratificação). Todavia, um diagnóstico sério e preciso “depende de uma avaliação que integre os fatores biológicos aos ambientais, relacionados à dinâmica familiar e emocional.” (Dr Mauro Muszkat). Mas atenção! No mundo todo, há uma média de 5% de crianças com TDAH e 2,5% de adultos. Contudo, aqui no Brasil, o número é bem mais elevado, o que nos faz refletir se não há uma hiperdiagnosticação. Temo que muitas famílias troquem educação por Ritalina, como faz uma conhecida minha com o filho. “Ele fica ótimo, tão bonzinho!”, diz ela. E como sei também de muitos estudantes que a tem usado para potencializar as suas funções executivas. É bom cuidar, pois há contra-indicações. Assim, antes de medicar, tenha certeza do diagnóstico, procure uma equipe multidisciplinar, para não colocar em risco o desenvolvimento do seu filho. Na próxima coluna, tratarei das principais dificuldades de quem possui o TDAH e como podemos contribuir para ajudá-lo a vencê-las.

Até lá!


Qualquer dúvida, email me

prof.ligiapacheco@gmail.com

11 de jan de 2018

208. O MUNDO DA CRIANÇA AUTISTA E COMO AJUDÁ-LA.


Fotos cedidas pelo prof Casio Lucena
Todo ser possui potenciais a desenvolver e merece desenvolver-se integralmente. Já escrevi muito sobre isso nos posts anteriores. Mas como contribuir com as crianças com transtornos de neurodesenvolvimento cujo funcionamento mental tem características tão peculiares? Melhor caminho: conhecendo-as. Comecemos pelas crianças portadoras do TEA, Transtorno do Espectro Autista.
Há vários níveis deste transtorno, do leve ao severo, mas em geral, o portador do TEA tem o cérebro hiperexcitado. Ou seja, diferente da maioria, que a cada nova atividade desliga a anterior, o autista liga uma nova atividade sem desligar a outra. Assim, ao longo do dia ele vai fazendo centenas de atividades ao mesmo tempo. Para dar conta de tantos estímulos, ele se organiza com padrões restritos e repetitivos não só comportamentais, mas também de interesses e/ou atitudes marcados por acentuadas rotinas e rituais. Fácil entender o porquê possuem grande dificuldade em lidar com as mudanças ou excesso de estímulos, pois se desorganizam e entram em crise. Além disso, seu diferente desenvolvimento neurológico gera-lhe prejuízos na comunicação social, na interação social e reciprocidade sócio-emocional, o que é fácil supor que acarreta a ele grandes dificuldades para se adaptar a este mundo, que é pensado para outro tipo de funcionamento cerebral. Como podemos então favorecer-lhe desenvolvimentos sem que ele se desorganize?
Há várias atividades para ajudar a criança a aprender, a desenvolver suas tantas possibilidades na escola e na vida. Cito uma, a prática da capoeira, que favorece o desenvolvimento integral do portador de TEA. Esta prática traz movimentos corporais ritmados, acompanhados de uma música com repetições bem marcadas e tendo como principal instrumento, o berimbau, instrumento de uma corda só, que proporciona uma música interessante, rústica e sem grandes estímulos musicais. A prática ainda segue ritual e rotina bem definidos, com integração social leve e em roda, tendo no centro apenas dois integrantes, cujos movimentos não são tão desestruturantes, como pode ser em um jogo de equipes, como o futebol, com mais imprevistos que podem desorganizar a criança. Como vemos, a capoeira vai muito ao encontro das características das crianças com TEA e ao seu funcionamento e por isso, pode ser uma boa opção ao seu desenvolvimento integral.
Fotos cedidas pelo prof Casio Lucena
Conheci o professor Cássio Lucena, que trabalha, a prática da capoeira com crianças com o TEA e outros transtornos em Recife/PE há alguns anos, e que juntamente com o professor Daniel Pina, estão começando um projeto na academia Santè em Boa Viagem para a inclusão destas crianças no universo da atividade física. Vi um pouco mais de perto o seu trabalho e marcamos um bate-papo. A fala emocionada e emocionante do professor, ilustrada por vídeos das atividades e dos progressos dos alunos, deixava claro os seus benefícios, que logo o professor elencou. 
1. A cadência rítmica e a expressão corporal da capoeira permite o envolvimento do corpo do aluno como um todo, além de favorecer a integração com outros indivíduos, uma de suas grandes dificuldades. 2. Trabalha a autonomia da criança, a sua psicomotricidade não só pela coordenação dos movimentos corporais, como também ao tocarem os instrumentos como o berimbau, atabaque e o pandeiro, desenvolvendo ainda a musicalidade. 3. Também favorece a comunicação e a linguagem, outra grande dificuldade apresentada pelo transtorno, ao cantarem as músicas e  falarem sobre elas. 4. E conhecem uma nova prática cultural enquanto se desenvolvem e se integram.
Ou seja, o transtorno traz sim prejuízos, mas toda criança pode e tem o direito a desenvolver-se. E toda criança, independente de sua constituição, é um ser de possibilidades. Façamos o nosso melhor por elas.
Bravo, professores Cassio e Daniel e tantos outros que colaboram! Muito lindo, útil e iluminado este trabalho. Unamos forças por mais conhecimentos destes mundos tão únicos para agirmos a favor de suas tantas possibilidades.

No próximo post falaremos do TDAH: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Inscreva-se para receber por email. Acompanhe.


Qualquer dúvida, email me

prof.ligiapacheco@gmail.com

3 de jan de 2018

207. A CRIANÇA DIFERENTE.

Toda criança é diferente. Não há um ser igual ao outro, mas há coisas que nos assemelham, que dizem de nós humanos. A maioria de nós, engatinha, anda, corre, embora pareça que os filhos corram primeiro para então andar. A maioria, aprendeu a balbuciar, a articular palavras, a dar-lhes sentido, a criar sentidos, a falar, a pensar, a ler a escrever numa sequência sem fim, em que cada fase é base para as subsequentes. A criança de um ano não consegue expressar-se perfeitamente, pois nem tem aprendizagens suficientes de palavras com seus significados, como não tem sistema nervoso maduro para tal proesa. Tudo a seu tempo, pasito a pasito, para não perder o hit do momento! Este processo contínuo de constituição e construção do ser para além do plano motor e da linguagem aqui exemplificados,  deve-se, em especial, ao desenvolvimento do sistema nervoso, que recebe fortíssima influência do meio. Logo, é importante ressaltar que, quando a criança chega ao mundo, um mundo chegará a ela. E este mundo muito dirá de suas possibilidades, inclusive do desenvolvimento do sistema nervoso. E por isso, insisto: Que mundo ofereço à biologia de meu filho? Além disso, há crianças cujo desenvolvimento não se dá como na maioria e portanto, elas não podem “funcionar” da mesma forma. São crianças diferentes. E o melhor modo de agir com elas é conhecendo os seus transtornos e dificuldades para que nossa ação possa ir a favor de suas tantas e diferentes possibilidades. Neste mes de Janeiro, dedicarei-me a elas aqui no FILHOsofar, começando pelo TEA, Transtorno do Espectro Autista. Inscreva-se para receber por email e acompanhe. Feliz 2018 a nós!


Qualquer dúvida, email me
prof.ligiapacheco@gmail.com

21 de dez de 2017

206. O MUNDO ENCANTADO E ENCANTADOR DA CRIANÇA.

Na última postagem do ano da minha coluna na Revista Pais & Filhos http://paisefilhos.com.br/blogs-e-colunistas/de-olho-no-cotidiano/seu-filho-no-mar-de-possibilidade, contei uma mesma situação retirada do cotidiano entre pais e filhos, mas com a mediação de duas mães diferentes, chamando a atenção para as consequências de nossa ação em relação ao desenvolvimento da criança e de seu futuro adulto. Vale a pena conferir. Mas, nesta última coluna do ano, aqui no FILHOsofar, quero ressaltar o quanto o conhecimento que temos de cada fase da criança nos ajuda a “entrar em seu mundo” e fazer bom uso dele em prol do desenvolvimento da criança ou de apenas interagir melhor com ela. Conto o que me aconteceu. Estava em minha caminhada matinal, que acontece na beira do mar sempre que possível. Planejava mentalmente minha aula da noite, enquanto respirava profundo aquele ar e distraía-me com as crianças brincando no mar. Ando tão saudosa delas que não as perco de vista. No meio da caminhada, encontro uma criança de cerca de 3 anos, com uma Barbie-sereia nas mãos. Olhava para o mar e conversava sem parar. Olhei ao redor e não havia ninguém que com ela estivesse falando. Não aguentei, parei e perguntei:
-        “Você está conversando com a sua boneca?”
Sem hesitar e toda segura de si, como costumam ser as crianças desta idade, disse:
-        “Não, estou conversando com o mar.”
Entrei em seu mundo encantado, pois sei que com esta idade o desenvolvimento de seu sistema nervoso não permite ainda que distingua bem a fantasia da realidade, tem um pensamento muito mágico, sei que ainda está construindo como funciona o mundo e que fala muito sozinha como estratégia natural para melhorar a linguagem e a organização de seu mundo interno construído a partir de suas já tantas experiências.
-        “E o mar te responde?”, perguntei curiosa.
-        “Sim! Ele conversa com a gente.”, disse toda sabida.
-        “Você me ensina a falar com o mar?”, perguntei com interesse.
-     “É fácil! Você pode falar normal mesmo, do jeito que a gente fala, que ele entende.”, ensinou-me sentindo-se toda importante.
Então, postei-me ao lado dela e disse ao mar:
-        “Mar, você pode mandar uma onda molhar os meus pés?”
E no mesmo instante, veio uma onda e molhou os nossos pés. A menina olhou para mim com ar de satisfação e disse:
-        “Não falei que ele entendia?”
Comemoramos e agradeci o ensinamento. E, antes que a mãe aparecesse preocupada, disse-lhe:
-        “Vou continuar a minha caminhada, só que agora eu vou conversando com o mar.”
Ganhei outro sorriso, um beijo solto pelo ar, um aceno de mãos delicioso e saí feliz com tamanha fofura.
Isto o que quero ressaltar: Como é gostoso e gratificante interagir com a criança compreendendo o que se pode esperar dela, qual a melhor maneira de conversar, como podemos facilitar para gerar desenvolvimentos, o que vale ensinar neste ou naquele momento, como se encantar e como encantá-la e, especialmente, como aprender com ela. Vale muito a pena conhecer melhor a criança, seus processos e suas possibilidades, para ter ações mais assertivas.
Desejo a você, boas festas, uma feliz entrada em 2018, momentos incríveis com seu(s) filho(s) neste periodo de férias e que você possa se deliciar cada vez mais com o encantado e encantador mundo da criança, que nos faz, inclusive lembrar como éramos. Agora me dá licença que vou lá conversar com o mar. Feliz férias!

Ps: Em Janeiro, dedicarei-me às crianças com determinados transtornos, seus desenvolvimentos e como podemos agir para ajudá-las. E seguirá a linha de que o conhecimento amplia as nossas percepções e as possibilidades de ações. 
Até lá! Boas férias!